Eu não quero ser conhecida apenas por ter boas ideias.

Durante muito tempo, ouvir que eu era criativa foi um dos maiores elogios que alguém poderia me fazer. Ainda é.

A criatividade sempre foi uma coisa muito natural para mim. Está na forma como eu olho para as coisas, conecto referências, encontro caminhos e começo projetos. Por isso construí boa parte da minha carreira em torno dela.

Mas nos últimos 12 meses alguma coisa mudou.

Quando entrei no ambiente corporativo percebi ainda mais o quanto a criatividade era um dos meus maiores diferenciais. Só que também percebi uma coisa que talvez eu ainda não tivesse precisado encarar tão de perto: ser criativa não era o suficiente.

Passei a precisar estar mais próxima do negócio, das decisões, dos números, da operação e de pessoas diferentes olhando para o mesmo problema e enxergando coisas completamente distintas. Aos poucos isso começou a mudar também a forma como eu criava. Antes de me apaixonar por uma ideia comecei a me perguntar se ela funcionava fora da apresentação.

Por que isso precisa existir? Por que agora? Quem precisa se importar? O que isso muda para a marca? E talvez a pergunta que mais tenha ficado comigo: essa ideia é boa porque é criativa ou porque é a resposta certa?

Meu amadurecimento criativo começou aí. Não porque passei a querer ser menos criativa, muito pelo contrário. Passei a entender melhor o que fazer com essa criatividade e hoje uma boa ideia me interessa menos pelo quanto ela é criativa e mais pelo quanto ela é certa.

Isso acabou me fazendo pensar até na forma como eu mesma me apresento. Diretora criativa é o que eu sou, mas ultimamente tenho pensado muito mais sobre o que eu consigo fazer a partir disso do que sobre o título em si.

Foi mais ou menos nesse momento que eu finalmente decidi fazer este site.

Eu poderia ter criado um portfólio há anos e, para ser sincera, posterguei bastante. Não era só falta de tempo. Eu estava esperando sentir que tinha alguma coisa para dizer além de “esses são os meus trabalhos”.

Queria olhar para tudo o que fiz e entender o que aquilo dizia sobre mim, o que ainda fazia sentido, o que tinha mudado e principalmente o que eu queria construir a partir dali.

Tenho um lado muito artístico que enxerga minha carreira quase em atos. Consigo identificar quando uma fase começa e olhar para trás percebendo exatamente onde alguma coisa mudou em mim e, consequentemente, no meu trabalho.

E eu precisava de um pequeno intervalo antes de começar esse próximo. Um tempo para olhar em volta, entender o que tinha acontecido, perceber o que eu tinha aprendido e me perguntar para onde eu queria ir agora.

No fim, este site virou muito mais do que um lugar para colocar projetos. Virou uma forma de organizar essa mudança, mostrar meu trabalho e também um pouco mais de como eu penso. Talvez até criar espaço para coisas que hoje eu ainda nem sei quais são.

Então sim, eu quero continuar sendo conhecida por ter boas ideias. Só não quero que essa seja a única coisa pela qual meu trabalho seja lembrado.